Accords Mets et Vins

A fusão dos vinhos e dos queijos

Por Clément LedeyAtualizado a 3 min de leitura

Aaaaaaah, os queijos, um produto que não para de fazer crescer água na boca em todo o mundo, graças à sua incrível variedade de sabores e texturas. E se os queijos tivessem um amigo de infância, um braço direito ou uma alma gémea, seria sem dúvida o vinho! Ele permite exprimir os aromas e os sabores dos queijos e vice-versa, o que torna esta dupla de peso muito sedutora aos olhos de muitos epicuristas. Mas nem todos os queijos combinam com todos os vinhos, e é aí que a coisa se complica, porque uma harmonização mal escolhida pode rapidamente acabar em divórcio. Então, como escolhê-los? Não poderemos, evidentemente, citá-los todos, mas vamos ver alguns exemplos famosos do planeta queijo. 

Que vinho servir com o Comté?

 

Faz parte dos queijos de pasta dura como o Beaufort ou o gruyère suíço. É o tipo de queijo mais fácil de harmonizar com vinhos tintos encorpados, como um Malbec da Argentina, um Chianti da Toscana ou um Rioja de Espanha. A gordura deste queijo harmoniza-se na perfeição com os taninos potentes que encontramos nestes vinhos. Pode também acompanhar um Pinot Noir da África do Sul, dos Estados Unidos ou do Chile, muitas vezes mais estruturado na boca do que a maioria dos Pinot Noir da Borgonha. 

Que vinho servir com o Camembert? 

Pertence à família dos queijos de pasta mole, como o Brie e o Brillat-Savarin. Este tipo de queijo combina extremamente bem com os Chardonnay estagiados e/ou fermentados em barricas de carvalho, pois têm aromas amanteigados e de avelã que se conjugam muito bem com a textura cremosa do queijo. Encontramos naturalmente este tipo de vinho nos Chardonnay da Borgonha, mas também nos Chardonnay da África do Sul, da Nova Zelândia, dos Estados Unidos ou ainda da Argentina.

Num outro registo, os vinhos espumantes elaborados pelo método clássico de Champagne, como o Champagne, o Crémant ou o Cava de Espanha, também criam uma harmonização surpreendente. As suas bolhas finas trazem um toque vivo e as suas notas de brioche conjugam-se na perfeição com a untuosidade do Brie e oferecem um contraste muito reconfortante.

Que vinho servir com queijo de cabra?

Com as suas notas rústicas e um pouco terrosas, não é o queijo mais fácil de harmonizar, ao ponto de a maioria dos vinhos tintos ser muitas vezes má escolha. Em contrapartida, bem acompanhado, este queijo pode tornar-se um verdadeiro deleite para o palato. As notas cítricas e minerais de um Sauvignon Blanc da Nova Zelândia, de um Chenin da África do Sul ou de um Riesling da Alemanha realçam os maravilhosos sabores vegetais e de avelã que se podem encontrar neste queijo. Podemos também pensar em vinhos menos conhecidos, mas igualmente interessantes para esta harmonização, como um Grüner Veltliner da Áustria ou um Vinho Verde do norte de Portugal.

Que vinho servir com o Roquefort?

 

Este queijo picante, potente e salgado faz parte da família dos queijos azuis, tal como o Gorgonzola ou o Stilton. Experimente-o com um copo de Porto no final da refeição. De facto, a sua doçura e a sua potência equilibram este queijo e revelam as suas notas de bolor nobre. Pode também optar por uma harmonização com um Gewürztraminer de colheita tardia cujas notas florais e especiadas suavizam a potência do queijo. Por fim, um Moscato d'Asti do Piemonte também resulta particularmente bem com o Gorgonzola. Este vinho doce e frisante de Itália, com as suas bolhas finas e notas exóticas, refresca o palato para continuar a saborear.

Outra harmonização doce-salgada bem conseguida: um Moscato d'Asti bem fresco com um Gorgonzola.

Que vinho servir com o Reblochon?

 

O Reblochon faz parte da família dos queijos de casca lavada, como o Époisses ou o Munster. Estes queijos podem harmonizar-se com uma vasta gama de vinhos, como os brancos aromáticos, por exemplo o Gewürztraminer da Alsácia ou o Torrontés da Argentina. Consoante a intensidade do queijo, podemos também acompanhá-los com tintos leves e frutados, como um Pinot Noir ou um Gamay. Por fim, um Riesling vivo e expressivo ou um Pinot Gris redondo e guloso acompanham particularmente bem o Munster.
 

 

Afinal, não vamos mentir: será, evidentemente, difícil abrir todas estas garrafas para uma tábua de queijos variados. Ainda assim, é interessante saber harmonizar estes dois produtos da gastronomia francesa quando a ocasião surgir e sublimar os respetivos sabores…

A secção a explorar para isso são os nossos tintos leves.

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