Poucas palavras, muito vinho
O produtor Thistle & Weed nasceu da colaboração entre Stéphanie Wiid e Etienne Terblanche. Stéphanie trabalha na adega, enquanto Etienne passa mais tempo nas vinhas. Juntos, partiram à descoberta das melhores joias escondidas do Cabo, com a intenção de elaborar vinhos autênticos e honestos, feitos com uma ligação profunda à natureza e que oferecem a expressão mais simples do terroir de onde provêm. Stephanie segue a mesma abordagem de vinificação de intervenção mínima para produzir vinhos puros e específicos de cada local. Os seus vinhos têm nomes africânderes que designam diferentes cardos e ervas daninhas (Thistle & Weed) encontrados entre as vinhas cultivadas no Cabo. Etienne e Steph traçam paralelos entre os cardos e as ervas daninhas e a tenacidade sem compromissos e a capacidade de sobrevivência das vinhas velhas.
O Springdoring (Cenchrus incertus) é uma planta que se enraíza depressa e é difícil de arrancar. Mas não é tão resistente e persistente como estas vinhas de Chenin Blanc cultivadas no Swartland, onde a sobrevivência é primordial. Esta vinha, plantada em 1982, está aninhada no Joubertskloof, na montanha Paardeberg, o emblema do Swartland. As videiras crescem em solos de granito puro, abrigadas do sol escaldante da tarde (exposição a nascente). As uvas foram delicadamente prensadas em cachos inteiros e fermentaram naturalmente em velhas barricas de carvalho francês, utilizando-se apenas o mosto lágrima. As borras foram agitadas (bâtonnage) durante o 1.º mês e depois o vinho estagiou 10 meses antes do engarrafamento, sem filtração. Este vinho revela aromas de limão, de casca de toranja, de ananás, de flores de primavera, de maçã golden, de pêssego amarelo, de tangerina, de marmelo e de rocha fumada. A boca mostra gulodice e textura, com uma tensão salina e um final de amargos nobres.
Para onde viajamos?
A pequena história do país
África do Sul

As primeiras vinhas foram plantadas na África do Sul por colonos holandeses na década de 1650, embora a produção de vinho só tenha realmente começado a ganhar força com a chegada dos protestantes franceses, na década de 1680, com as suas competências e conhecimentos de viticultura. Stellenbosch é também uma região vitícola histórica, onde as primeiras vinhas foram plantadas na década de 1690. Hoje, a África do Sul é um dos mais importantes países produtores de vinho do hemisfério sul. Com mais de 300 anos de história vitícola, é muitas vezes descrita como uma ponte entre o Velho e o Novo Mundo. A maioria dos vinhos é produzida segundo as técnicas de vinificação do Novo Mundo, mas, em termos de estilo, têm muitas vezes mais em comum com os seus congéneres do Velho Mundo. Desde o fim do apartheid, o vinho sul-africano tem beneficiado de atenção internacional e tem sido aclamado pela sua grande variedade de estilos. A indústria vinícola sul-africana distribui-se pela paisagem exuberante e acidentada do Cabo Ocidental. Aqui, a abundância de montanhas, vales e planaltos permite aos viticultores produzir uma grande variedade de estilos. Encontram-se também vinhas na região de Orange River, no Cabo Setentrional, onde a paisagem plana e árida é dominada pelo deserto do Kalahari. A maioria das regiões vitícolas da África do Sul tem um clima mediterrânico, fortemente influenciado pelo encontro dos oceanos Atlântico e Índico. A casta emblemática do país é a Pinotage, um cruzamento autóctone de Pinot Noir e Cinsaut que raramente se encontra em quantidade noutros países produtores de vinho. A Shiraz (Syrah) está também amplamente plantada, tal como a Cabernet Sauvignon e a Merlot (muitas vezes reunidas num lote de estilo bordalês). A Chardonnay, a Chenin e a Sauvignon Blanc sul-africanas tornaram-se populares a nível internacional nos últimos anos.
