Poucas palavras, muito vinho
Se há um viticultor de Espanha cujo talento e génio são reconhecidos mundialmente, é sem dúvidaÁlvaro Palacios. Os seus vinhos, repletos de complexidade e elegância, deram um novo fôlego aos vinhos de Espanha. O produtor, sediado na região vitícola espanhola do Priorat, é reputado pela produção de vinhos que refletem fielmente o terroir único desta região. Álvaro Palacios, pioneiro na utilização de métodos de viticultura biodinâmica em Espanha, contribuiu largamente para elevar o perfil dos vinhos do Priorat graças às suas cuvées inovadoras e de gama alta.
A cuvée La Baixada é uma adição relativamente recente aos «crus» de Álvaro Palacios, proveniente de uma parcela isolada de 1,3 hectares na vinha de Finca Dofí (outra cuvée da gama). As vinhas de Grenache, plantadas em 1996 em solos de ardósia e depois sobre-enxertadas com material vegetal de L'Ermita (cuvée lendária do produtor), dão cachos arejados com bagos pequenos e rendimentos muito baixos. As vindimas são manuais, o desengace é parcial e a fermentação decorre em tonéis (foudres) com leveduras indígenas. O estágio do vinho dura 20 meses em tonéis, sendo depois engarrafado sem colagem nem filtração. Este vinho liberta aromas intensos de frutos pretos, de bagas silvestres, de amoras, de mirtilos, de ameixa azul, de pimenta branca, de violeta, de alcaçuz, de grafite e deespeciarias mediterrânicas. A boca é suculenta e macia, com taninos finos e uma tensão mineral, conduzindo a um final persistente e complexo.
Para onde viajamos?
A pequena história do país
Espanha

A história do vinho em Espanha é tão antiga que ninguém sabe ao certo quem trouxe as primeiras videiras para a região. Quando os fenícios chegaram, há cerca de 3 000 anos, e fundaram as atuais cidades de Cádis e Jerez, a viticultura já estava bem implantada e os vinhos espanhóis foram amplamente comercializados em todo o Mediterrâneo e no Norte de África. Poder-se-ia dizer que Espanha é um milagre vitícola. Depois de anos afastada do mundo dos grandes vinhos, é hoje um ator de primeiro plano. O investimento e a ambição nas vinhas e nas adegas traduzem-se em tintos cada vez mais ricos, complexos (muitas vezes com teor alcoólico elevado) e especiados, cada vez mais apreciados pelos consumidores internacionais. Orgulhosa de possuir mais terras dedicadas à vinha do que qualquer outro país, Espanha está apenas a começar a tirar partido deste recurso de forma coerente. Espanha é um emaranhado anárquico de regiões e sub-regiões, tal como o seu território é um emaranhado anárquico de paisagens incrivelmente agrestes. Basta um olhar para um mapa para perceber a diversidade climática entre as numerosas regiões vitícolas espanholas, desde as vinhas verdes e encharcadas da Galiza, na costa atlântica norte, até às vinhas tostadas pelo sol do sudeste mediterrânico. A graça salvadora de Espanha, no plano da viticultura, é a altitude média das suas vinhas, superior a 600 metros. Grande parte das vinhas espanholas consegue, assim, produzir uvas com boa cor e boa acidez simplesmente porque as temperaturas noturnas são relativamente baixas e as uvas só amadurecem no final de um ciclo vegetativo suficientemente longo. Mas há um verdadeiro tesouro à espera de quem estiver disposto a procurar e, agora que se desenvolveu em Espanha uma classe de conhecedores, investidores ambiciosos de todo o tipo contribuíram para mudar a imagem do vinho espanhol. Hoje, uma nova geração de viticultores começou discretamente a elaborar vinhos espetaculares e a experimentar castas que ainda há pouco tempo teriam sido impensáveis. O vinho continua a ser um produto importante e faz parte integrante da cultura espanhola.
