Poucas palavras, muito vinho
Eben Sadie é considerado um dos grandes visionários da nova geração de viticultores sul-africanos. O reputado crítico de vinhos Neal Martin descreveu recentemente Sadie como um «viticultor franco, itinerante e obcecado pelo terroir, que teve um papel determinante na afirmação do Swartland». Ele produz, muito provavelmente, os melhores vinhos da África do Sul. É também uma das personalidades mais marcantes e carismáticas do país.
A cuvée Palladius é fruto de um lote meticuloso de 11 castas, entre as quais Chenin Blanc, Grenache Blanc, Clairette Blanche, Viognier, Verdelho, Marsanne, Roussanne, Sémillon Gris, Sémillon Blanc e Palomino. Cultivadas com atenção, segundo práticas agrícolas biológicas e sustentáveis, estas variedades desenvolvem-se em solos ricos em granito, arenito e cascalho. A vindima, feita à mão, precede uma prensagem delicada e uma vinificação marcada por uma fermentação espontânea com leveduras indígenas, que decorre em ânforas e ovos de cimento. O estágio prossegue durante 2 anos sobre borras finas em velhas barricas de carvalho francês, contribuindo para o seu perfil complexo e matizado. Na prova, este vinho distingue-se por uma riqueza aromática excecional, com notas de citrinos, de erva-príncipe, de marmelo, de pera William, de maçã cozida, de pêssego amarelo, de flores brancas, de mel, de amêndoas torradas e de pederneira. Na boca revela-se vivo e perfeitamente equilibrado, com estrutura e concentração notáveis. O final é longo e apetitoso.
Para onde viajamos?
A pequena história do país
África do Sul

As primeiras vinhas foram plantadas na África do Sul por colonos holandeses na década de 1650, embora a produção de vinho só tenha realmente começado a ganhar força com a chegada dos protestantes franceses, na década de 1680, com as suas competências e conhecimentos de viticultura. Stellenbosch é também uma região vitícola histórica, onde as primeiras vinhas foram plantadas na década de 1690. Hoje, a África do Sul é um dos mais importantes países produtores de vinho do hemisfério sul. Com mais de 300 anos de história vitícola, é muitas vezes descrita como uma ponte entre o Velho e o Novo Mundo. A maioria dos vinhos é produzida segundo as técnicas de vinificação do Novo Mundo, mas, em termos de estilo, têm muitas vezes mais em comum com os seus congéneres do Velho Mundo. Desde o fim do apartheid, o vinho sul-africano tem beneficiado de atenção internacional e tem sido aclamado pela sua grande variedade de estilos. A indústria vinícola sul-africana distribui-se pela paisagem exuberante e acidentada do Cabo Ocidental. Aqui, a abundância de montanhas, vales e planaltos permite aos viticultores produzir uma grande variedade de estilos. Encontram-se também vinhas na região de Orange River, no Cabo Setentrional, onde a paisagem plana e árida é dominada pelo deserto do Kalahari. A maioria das regiões vitícolas da África do Sul tem um clima mediterrânico, fortemente influenciado pelo encontro dos oceanos Atlântico e Índico. A casta emblemática do país é a Pinotage, um cruzamento autóctone de Pinot Noir e Cinsaut que raramente se encontra em quantidade noutros países produtores de vinho. A Shiraz (Syrah) está também amplamente plantada, tal como a Cabernet Sauvignon e a Merlot (muitas vezes reunidas num lote de estilo bordalês). A Chardonnay, a Chenin e a Sauvignon Blanc sul-africanas tornaram-se populares a nível internacional nos últimos anos.
