Alerta: Xi e Macron têm 383 dias para salvar o conhaque francês na China

Por Clément LedeyAtualizado a 2 min de leitura

Xi et Macron ont 383 jours pour sauver le cognac français en Chine

Acompanhamos com atenção as negociações em curso entre a França e a China sobre o futuro do cognac. O presidente Emmanuel Macron manifestou recentemente a vontade de encontrar uma solução favorável até ao início de 2025. Esta situação lembra-nos a importância crucial das trocas internacionais no mundo do vinho, uma área que conhecemos bem enquanto escanções apaixonados.

Os desafios económicos do cognac francês

O cognac é um pilar importante da economia francesa, sobretudo na região de Charente. Segundo os dados mais recentes, o setor gera 72 500 empregos em França, um número que sublinha a importância deste setor para o emprego local. Nas nossas viagens pela região, pudemos constatar que muitas famílias dependem direta ou indiretamente desta atividade.

A exportação tem um papel preponderante na indústria do cognac:

  • 98% das vendas destinam-se à exportação
  • O volume de negócios da exportação atinge 3,35 mil milhões de euros
  • Os Estados Unidos são o primeiro mercado, com 38% das expedições
  • A China surge em segundo lugar, com 25% das exportações

Estes números ilustram a dependência do cognac dos mercados internacionais, em particular do mercado chinês. É por isso que as recentes tensões comerciais com Pequim causam tanta preocupação no setor.

A crise diplomática e as suas repercussões

Na semana passada, soubemos que a China tinha decidido impor "medidas antidumping temporárias" sobre os brandies importados da União Europeia, incluindo o cognac. Esta decisão surge na sequência de um anúncio semelhante no mês anterior. Enquanto atentos observadores do mercado mundial do vinho, compreendemos que estas medidas são vistas como uma resposta aos procedimentos iniciados por Bruxelas relativamente aos subsídios chineses aos automóveis elétricos.

Esta situação faz lembrar outras crises diplomáticas que afetaram o comércio do vinho, como o embargo russo aos vinhos georgianos em 2006. A história ensina-nos que estas tensões podem ter consequências duradouras nas trocas comerciais e na reputação dos produtos em causa.

As iniciativas diplomáticas em curso

Perante esta situação preocupante, o presidente Emmanuel Macron tomou a iniciativa de falar diretamente com o seu homólogo chinês, Xi Jinping. Na recente cimeira do G20 no Rio de Janeiro, Macron declarou aos jornalistas:

"Decidimos com o presidente chinês (...) conduzir o trabalho a nível técnico, com muita transparência"

Esta diligência mostra a importância dada a este dossiê ao mais alto nível do Estado. Enquanto apaixonados por vinhos e destilados, saudamos esta iniciativa, que poderá permitir preservar o saber-fazer único dos produtores de cognac.

Para concretizar estes esforços diplomáticos, o primeiro-ministro Michel Barnier deslocar-se-á à China no primeiro trimestre do próximo ano. Esta visita será crucial para abordar o tema com as autoridades chinesas e tentar encontrar um entendimento.

Perspetivas e desafios para o futuro do cognac

O objetivo assumido pelo presidente Macron é claro: encontrar uma saída favorável até ao início de 2025. Este prazo relativamente curto sublinha a urgência da situação para o setor do cognac. Eis uma visão geral dos principais desafios a considerar:

Desafios Impactos potenciais
Manutenção das exportações para a China Preservação de 25% do mercado de exportação
Proteção do emprego em França Estabilidade para 72 500 empregos diretos e indiretos
Preservação do saber-fazer Continuidade da tradição secular do cognac
Diversificação dos mercados Redução da dependência de determinados países

Enquanto profissionais do vinho que percorreram as vinhas do mundo inteiro, estamos convencidos de que o cognac tem todos os trunfos para ultrapassar esta crise. A sua reputação de excelência e a sua rica história deverão permitir-lhe manter um lugar de destaque no panorama internacional dos destilados.

Continuaremos atentos à evolução desta situação, conscientes de que o futuro do cognac francês se joga em parte nestas negociações diplomáticas. A resolução deste diferendo comercial poderá abrir caminho a uma nova era de cooperação entre a França e a China no domínio dos destilados de prestígio.

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